quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

"Quem vai queimar?"


Calamidade social, descrita em uma letra de música...

Encaixotem os livres
Desinfectem os cantos
Estuprem as mulheres
Brutalizem os homens
Despedacem os fracos
Enfeitem a moda
Sodomizem as crianças
Escravizem os velhos
Fabriquem as armas
Destruam as casas
Façam render a Guerra
Escolham os Heróis!

E queimem as bruxas
Deixa Queimar...
E queimem as bruxas
Quem vai queimar?

Empurrem conselhos
Forneçam as drogas
Engulam a comida
Disfarcem bem a culpa
Protejam a igreja
Perdoem os pecados
Condenem os feitiços
Decidam quem vai morrer
Contaminem a escola
Violentem os virgens
Aprisionem os livros
Escrevam a história

E queimem as bruxas
Deixa Queimar...
E queimem as bruxas
Quem vai queimar?

Quem ordena a execução
Não acende a fogueira

Pai rogai por nós...

E queimem as bruxas
Deixa Queimar...
E queimem as bruxas
Quem vai queimar?

Zadig ou O Destino


Livro de Voltaire, muito interessante. Zadig é a história de um cidadão de Babilônia, sempre envolvido em peripécias que o destino lhe reserva. Sua vida é feita de altos e baixos que se sucedem de uma maneira que, à primeira vista, perecem inconcebíveis e fora de propósito. Mas o destino é feito de surpresas. Aliás, ele próprio é uma surpresa, é o novo que evolui e involui, que se completa, se faz e refaz, que abre seus caminhos onde não os há, que oferece e tira, que constrói e destrói, que alegra e entristece, que projeta o futuro, realiza o presente e leva a recair no passado. Em suma, consegui extrair as seguintes reflexões do livro:

"É preferível arriscar-se a salvar um culpado que condenar um inocente."

"Quando comeres dá de comer aos cães, ainda que te mordam."

"Um amigo vale mais que cem padres."

"Os mais implacáveis ódios não têm muitas vezes causas mais importantes."

"A oportunidade de fazer o mal aparece cem vezes por dia e o de fazer o bem, uma vez por ano." (Zoroastro)

"Sempre prazer não é prazer." (Sadder)

"A gente acha que é menos infeliz quando não é infeliz sozinho."

"Quando somos amados por uma bela mulher sempre nos livramos de complicações neste mundo." (Zoroastro)

"O homem não pode dar a si próprio nem sensações, nem idéias, recebe tudo; a dor e o prazer lhe vêm de fora, como sua existência."

"Os homens julgam tudo sem nada conhecer."

"Os maus são sempre infelizes: servem para pôr a prova um reduzido número de justos espalhados sobre a Terra e não há mal do qual não resulte um bem."

(Zadig ou O Destino - Editora Escala, Segunda Edição)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Parabéns Gieyse!!!


Hoje a minha irmã Gieyse faz 16 anos de vida, dedico esta postagem em homenagem a ela.

Pois é, um dia percebemos o quanto tempo passa... E lamentamos dizendo consigo mesmo: "Pôxa, parece que foi ontem!!!" Mas com o passar do tempo não percebemos que pessoas maravilhosas sempre estão ao nosso redor, nos apoiando, nos iluminando, nos ajudando a trilhar esses caminhos tortuosos daquilo que denominamos de vida. Pessoas assim são iluminadas por seres divinos, pois vieram a Terra unicamente com a missão de trazer alegria aos que estão próximos de si. Apesar das diferenças, apesar das divergências, mantemo-nos sempre unidos, pois estamos interligados inseparavelmente pela linha que traça nossos caminhos... Apenas queremos ser felizes, e ter as pessoas que gostamos ao nosso lado nos faz feliz. Há todo momento, a todo instante, sempre haverá alguém com que tu poderás contar. Uma vez me disseram que mais vale uma amizade verdadeira, do que um baú cheio de tesouros... E é esse sentimento tão forte e puro que nos dá energia para enfrentarmos com perseverança mais uma jornada. É exatamente isso, algo indescrtível, que nos fortalece... Se tentasse resumir o que sinto numa palavra diria: amizade...
Minha querida, quero que saibas que podes sempre contar comigo... Te desejo um Feliz Aniversário, que todos os teus planos e sonhos se realizem, que nossa amizade torne-se cada vez mais sólida... Saúde, paz, amor, sucesso...

George - O Garoto Aprendiz... (Talvez aquele que tenha sido nada mais que um sonhador...)

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Não se pode ter tudo...

Hoje, aniversário de meu pai... Dedico esta postagem a ele, na verdade vou contar uma história em que ele é um dos principais personagens...
Devia estar na terceira, ou na quarta série quando isso aconteceu. Estudava com cerca de uns trinta colegas, um desses colegas era bem sucedido, o tipo de garoto que todo mundo quer ser amigo, só porque ele tem dinheiro. O garoto tinha pais que davam a ele tudo o que ele queria, não era o mais inteligente da turma, mas era o que tinha todos os recursos pra obter tal posto, tinha dinheiro, acesso a todo tipo de informação, exceto internet, pais nem um tanto dedicados. Via como ele se comportava, sempre com um tênis diferente, roupas novas, cadernos novos, ele podia fazer o que quisesse, a hora em que quisesse. Tamanha era minha infantilidade, que também queria ser como ele, o garoto que podia ter tudo, ou que podia ser tudo... Tamanha era minha indignação, e perguntei pra mim mesmo: "Pôxa, por que essa garoto pode ter tudo e eu não?"
No dia seguinte, lancei a mesma pergunta ao meu pai, ao que ele me explicou:
_ George, a família desse moleque tem dinheiro, mas imagino o dia em que os pais dele morrerem? Os filhos não saberão lidar com os negócios da família... Além disso, na vida não se pode ter tudo o que ser quer. Lute, estude, para ter o que é seu...
Isso que meu pai me falou me tocou de tal forma que até hoje eu nunca esqueci dessas palavras.
"Pai, sei de todos os esforços que tens passado pelo nosso bem, por nos proporcionar uma vida confortável, por nos dar a certeza de um futuro melhor, por fazer de nós uma família, por ser o pilar essencial nessa obra que construíste pensando unicamente em nós. Quero que tu saibas que felicito-me em ser teu filho, e farei o possível para fazer valer todo o esforço que fizeste e ainda fazes por nós... Feliz Aniversário, pai, que as forças divinas te conservem com saúde, paz, harmonia, sucesso... Muito obrigado por tudo... Muito obrigado por me permitir a existência..."

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Não ri deles, ri com eles...


Lembro me dia um dia em que estávamos meu filho e eu passeando por uma cidade, era um lugar desconhecido e nós só estávamos alí de passagem. Um povo diferente, com modos e hábitos diferentes. Meu filho ficava deslumbrado com cada coisa que via, e fiquei surpreso em ver tamanha alegria em seu rosto, fazia um bom tempo que não o via assim.
Encontramos um grupo de moradores, que jogavam baralho e bebiam cerveja bem próximo a uma esquina, falavam e riam alto. No momento em que nós passamos, eles pararam o jogo e perguntavam entre si, quem nós éramos e o que fazíamos por lá.
Eu num gesto amistoso comecei a sorrir... Meu filho surpreso com minha atitude logo me indagou:
_ Pai, por que o senhor riu deles?
Ao que eu expliquei:
_ Não meu filho, não ri deles, ri com eles...

"Dizem que o sorriso é o primeiro passo para a comunicação, então se alguém voltar o olhar pra ti, apenas sorria... Pois esta pessoa pode ser tornar uma grande amiga tua... Ofereça um sorriso a quem precisa!!!
Produzido por George de Oliveira - O Garoto Aprendiz... "

Barcelos, 15 de fevereiro de 2009.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

O Nariz

Um dia Azora voltou de um passeio muito encolerizada e deixando escapar grandes reclamações.
_ Que tens, minha querida esposa? Quem pode te deixar assim fora de ti mesma? - perguntou Zadig.
_ Ah! Ficarias como eu - respondeu - se visses o espetáculo de que acabo de ser testemunha. Fui confortar a jovem viúva Cosru, que há dois dias eregiu um túmulo para sei jovem esposo, junto do riacho que banha essas pradarias. Em sua dor, prometeu aos deuses que ficaria junto do túmulo enquanto as águas desse riacho corressem ao lado.
_ Pois bem! Disse Zadig, aí está uma mulher honrada que amava verdadeiramente seu marido!
_ Ah! Replicou Azora, se soubesses em que se ocupava quando fui visitá-la!
_ Em que, minha bela Azora?
_ Estava mandando desviar o riacho.
Azora se derramou em invectivas tão longas, explodiu em recriminações tão violentas, que essa ostentação da virtude não agradou a Zadig.
Ele tinha uma amigo chamado Cador que era um desses jovens quem sua mulher atribuía mais probidade e mérito que aos outros: fez dele seu confidente e se assegurou, como podiam de sua fidelidade, dando-lhe um valioso presente.
Azora, que passara dois dias no campo em casa de uma amiga, voltou para casa no terceiro dia. Criados em pranto lhe anunciaram que o marido morrera subitamente naquela noite e que não tinha coragem de levar-lhe essa infausta notícia, mas que acabavam de seputá-lo no túmulo de seus pais, no fundo do quintal. Ela chorou, arrancou os cabelos e jurou morrer. À noite, Cador pediu permissão pra lhe falar e os dois choraram.
No dia seguinte choraram menos e almoçaram juntos. Cador confessou que o amigo lhe deixara a maior parte de sua fortuna e deu a entender que a maior aventura, para ele, seria compartilhá-la junto com ela. A mulher chorou, se irritou e se acalmou; o jantar foi mais demorado que o almoço; falaram-se com mais confiança. Azora fez o elogio do defunto, mas confessou que Zadig tinha alguns defeitos dos quais Cador estava isento.
No meio do jantar, Cador se queixou de uma dor violenta no baço; a jovem viúva, inquieta e solícita, mandou trazer todas as essências com que se perfumava, a fim de ver se alguma não haveria de servir para a dor no baço; lamentou muito que o grande Hermes não estivesse mais em Babilônia; dignou-se até tocar o lado onde Cador sentia dores tão agudas.
_ Estás sujeito seguidamente aos ataques dessa cruel doença? - perguntou ela, cheia de compaixão.
_ Leva-me às vezes a beira do túmulo - respondeu Cador. Só há um remédio que me dá alívio: é aplicar no local o nariz de um homam falecido na véspera.
_ Estranho remédio! Disse Azora.
_ Não mais estranho - respondeu - que os saquinhos do senhor Arnou* contra a apoplexia. (*Havia nessa época, um habitante de Babilônia, chamado Arnou, que curava e prevenia todos os ataques de apoplexia com um saquinho pendurado ao pescoço.)
A esta razão, juntamente com os extraordinários méritos do jovem, a mulher finalmente se convenceu.
"Em todo caso - disse ela - quando meu marido, na ponte de Tchinavar, passar do mundo de ontem para o mundo de amanhã, será que o anjo Asrael deixará de lhe dar passagem, só porque seu nariz vai ser um pouco menos longo na segunda vida do que na primeira?"
Tomou, pois, uma navalha, foi ao túmulo do esposo, regou-o de lágrimas e se aproximou para cortar o nariz de Zadig, que encontrou estendido na tumba. Zadig se ergueu, defendendo o nariz com uma das mãos e detendo a navalha com a outra.
_ Senhora, disse ele, não xingues mais tanto assim a viúva Cosru; o projeto de me cortar o nariz é igualzinho àquele de desviar o riacho.
*Texto retirado do livro "Zadig ou o Destino" de Voltaire. (Col. Grandes Obras do Pensamento Universal - 29, Editora Escala)